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O Museu Arqueológico Nacional através de cinco peças

O Museu Arqueológico Nacional (MAN) é uma instituição de referência a nível internacional. Através da sua incrível coleção podemos percorrer a Pré-história, os tempos da Hispânia romana ou Al-Andalus. Além disso, possui muitas peças de origem egípcia ou núbia.

 

De seguida, propomos-te um percurso pelo MAN através de cinco das suas peças. Não são as mais conhecidas e, muito provavelmente, também não serão as mais representativas a nível artístico ou histórico. São, sim, uma amostra muito clara do que o museu representa e guarda no seu interior.

 

 

  • A Bicha de Bazalote: uma das esculturas iberas mais peculiares

A Bicha de Bazalote é provavelmente uma das esculturas mais peculiares e chamativas do MAN pela sua forma e pelo seu nome.

 

Encontrada em Bazalote (Albacete), num primeiro momento foi estudada por um grupo de arqueólogos franceses. Isto determinou que tivesse esta denominação peculiar. Foi-lhe dado o nome de “biche” (em castelhano “bicha”) porque se pensava que era uma espécie de corça.

 

São poucos os dados de que se dispõe sobre ela. Foi datada aproximadamente do século IV a.C. e identificada como uma das amostras mais importantes de arte ibera. Na realidade é uma espécie de esfinge, em que se destaca o seu corpo de touro e a cabeça de homem. Uma estética de claras influências orientais, fruto do contacto dos povos iberos com estas civilizações gregas. Crê-se que fez parte de algum monumento funerário. 

 

 

  • A Dama de Ibiza: um exemplo da passagem cartaginesa pelas Baleares

Embora seja algo que geralmente se omite, o arquipélago Balear esteve em determinado momento ocupado por Cartago. Este período abrangeu aproximadamente desde o século VII a.C. até ao fim das Guerras Púnicas, no século II a.C., quando Roma ocupou o território.

 

Deste período ficaram alguns vestígios. Um deles é a Dama de Ibiza, datada do século III a.C. e encontrada na necrópole de Puig des Molins. Realizada em argila, especula-se que serviu para guardar relíquias ou cinzas funerárias. Ao que parece, trata‑se de uma representação da deusa Tanit. A sua importância baseia-se no facto de ser uma das amostras em melhor estado de conservação e de maior tamanho de arte cartaginesa em território espanhol.

 

 

  • A múmia guanche do Barranco de Herques, uma das poucas amostras de uma cultura única

A denominada múmia guanche de Madrid ou do Barranco de Herques é uma das amostras melhor conservadas e mais representativas da cultura guanche. Esta cultura, única no mundo, habitou a ilha de Tenerife antes da chegada castelhana no século XV.

 

Atualmente não se conhece com exatidão em que ponto de Tenerife foi encontrada esta múmia; é atribuída à zona do Barranco de Herques, mas não se pode confirmar com rotundidade. Chegou a Madrid no século XVIII como um presente para Carlos III e, depois de passar pela Exposição Universal de Paris em 1878 e pelo Museu Nacional de Antropologia, chegou ao MAN em 2015.

 

É um indivíduo do sexo masculino, mumificado desde o século XI a.C. e num espetacular estado de conservação. Isto permitiu que se possa analisar, geneticamente ou fisiologicamente, como eram os aborígenes de Tenerife. Sem dúvida, uma das amostras mais interessantes do MAN.

 

 

  • O Bote de Zamora: um exemplar único de arte hispano-muçulmana

De arte andalusina ou hispano-muçulmana podemos encontrar inúmeras peças no MAN, todas elas realmente interessantes e de grande qualidade. Queremos destacar o denominado Bote de Zamora, uma urna de marfim fabricada durante o Califado Omíada em algum ponto indeterminado da Península.

 

A sua autoria é um verdadeiro mistério e apenas se sabe que quem a fabricou recebia o nome de “O mestre de Zamora”. A peça é realmente bela e possui uma série de pormenores únicos, talhados na perfeição numa superfície tão particular como o marfim. Pelas suas inscrições sabe-se que foi um presente do califa Al-Hakam II a Subh, concubina e mãe do seu herdeiro Hisham II. Desconhece‑se como, mas por volta do século XIV chegou à Catedral de Zamora. A partir desse momento passou a fazer parte do respetivo relicário até 1911, quando chegou ao MAN.

 

 

  • O tevau ou “dinheiro de pluma”, a moeda das Ilhas Salomão

Se por algo o MAN também se destaca é pela sua secção numismática, denominada “A moeda, algo mais do que dinheiro”. Dentro dela, para além de peças gregas, romanas ou de tempos contemporâneos, chama a atenção o tevau ou “dinheiro de pluma”. Um exemplar de numismática proveniente da província de Santa Cruz, um grupo de ilhas que faz parte das Ilhas Salomão.

 

A peça é uma espécie de fita vegetal enrolada, com aproximadamente 10 metros de comprimento. Tem coladas uma série de plumas de melro-cardeal, uma ave autóctone da zona. O tevau era uma moeda simbólica, que se herdava e utilizava para pagamentos rituais, como o casamento ou compras de alto valor. Continuou a ser utilizado praticamente até 1970, apesar da introdução de moedas modernas. Tal é o seu valor histórico e patrimonial que o governo das Ilhas Salomão proibiu a sua exportação ou saída do território. A peça do MAN é uma das poucas que existem fora da Oceânia.

Fotografia da Bicha de Bazalote
Imagem da Dama de Ibiza
Fotografia da Múmia Guanche
Detalhes do encerramento do Bote de Zamora
Imagem do Tevau ou dinheiro de plumas

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