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A igreja de Santa Maria

Descrição artística

A parte mais antiga deste edifício é o Pátio dos Laranjeiros adossado ao muro esquerdo, pois poderá ter feito parte do pátio das abluções da mesquita almóada que existiu anteriormente (demolida em 1424 para construir a igreja). Este pátio possui uma galeria porticada em dois dos seus lados, com colunas de mármore ou granito como suportes. Por sua vez, estas colunas têm cimalhas como remate. Numa delas conserva‑se uma inscrição visigótica, tendo sido reutilizada em época muçulmana. A galeria norte apresenta sete arcos, sendo o central maior e mais elevado; enquanto os laterais são arcos de ferradura apontados. Os arcos da galeria Este também são elevados e todos enquadrados pelo seu alfiz. Deduz‑se que, embora estes arcos fossem de época islâmica, foram remodelados durante a construção cristã do século XV.

 

Da mesma época data a capela dos Apóstolos, do lado Norte da igreja. A sua cobertura é uma abóbada octogonal que assenta sobre trompas nos seus ângulos. O portal do muro este apresenta no exterior uma arquivolta apontada simples, enquadrada por alfiz e com um beiral de modilhões de rolo como remate.
 

A igreja gótica é de planta salão, nela se inscrevendo o cruzeiro. Tem três naves divididas em cinco tramos. A cabeceira é plana, apresentando dois tramos. Nas naves laterais adossam‑se capelas que se situam entre os contrafortes. Possui três portais de acesso. O que se encontra aos pés foi realizado no século XIX em estilo neogótico. O portal lateral foi obra de Antonio Chamorro, com traços de Antonio de Figueroa y Ruiz em 1775. O que se abre para o Pátio dos Laranjeiros, o do lado esquerdo, não está concluído mas também é do século XVIII.

 

As naves estão separadas por arcos apontados apoiados em pilares poligonais ou quase circulares, dependendo da sua posição, próxima dos pés ou da cabeceira da igreja. Os pilares de secção quase circular apresentam muitos baquetões de diferente espessura e altura. A luz penetra pelos vitrais das janelas góticas apontadas do segundo corpo da nave central. 
 

Contrasta a decoração entre as abóbadas de nervuras das três naves, já que são sexpartidas as da zona dos pés do templo e as da zona da cabeceira são estreladas. O cimbório encontra‑se no centro do cruzeiro, concretamente no quarto tramo da nave central. É mais alto do que todo o conjunto de abóbadas que cobrem a nave central. Destacam‑se as suas nervuras complexas e os seus vãos apontados com vitrais que acentuam o claro‑escuro no tecido de nervos. Nas chaves e muros sobre os quais assenta o cimbório, a decoração apresenta santos, anjos e personagens mitológicos.
 

As capelas laterais também se cobrem com abóbadas de nervuras góticas estreladas. Outras capelas fazem‑no com abóbadas de baquetões que se entrecruzam e formam caixotões, mostrando uma clara transição para o Renascimento. Este tipo de cobertura também se encontra na sacristia.
 

No sentido dos ponteiros do relógio, desde os pés da nave do Evangelho, encontram‑se pela seguinte ordem as capelas laterais: capela Batismal, Capela do Sacrário, porta de acesso desde o Pátio dos Laranjeiros, capela do Cristo dos Milagres e capela da Virgem da Graça, de planta oitavada e coberta com cúpula rematada com lanterna. A capela‑mor encontra‑se na cabeceira da nave central, seguida pela sacristia‑mor na nave da Epístola. Seguem‑se a capela da Virgem da Antiga, que se une à do Calvário. A seguir vêm as de São José, a porta de acesso à nave da Epístola, a capela da Virgem do Rosário, a da Virgem da Paz e a da Encarnação (também conhecida como Capela dos Barreda).
 

No penúltimo tramo da nave central situa‑se o coro. Os seus muros apresentam elementos de época renascentista e maneirista. A crujia ou via sacra une o coro ao presbitério.
 

Aos pés da igreja encontra‑se a torre, entre o Pátio dos Laranjeiros e a Capela Batismal do lado do Evangelho. Divide‑se em quatro corpos, sendo os três primeiros de planta retangular, enquanto o quarto é quadrado. O primeiro corpo é de aparência maciça, sem vãos, rematado por um entablamento sobre o qual assenta um parapeito com pilares nos ângulos e remates piramidais. O segundo corpo é de menor tamanho, mas tem cinco vãos de arco de volta perfeita, enquadrados por um alfiz e azulejos nas enjuntas. Três vãos abrem para o lado do Pátio dos Laranjeiros, dois para o lado oposto e um para o lado voltado para a igreja. O terceiro corpo está rodeado por um parapeito vazado com formas romboidais, tal como o existente no primeiro corpo. Uma estrutura retangular alberga um vão adintelado com o mostrador do relógio, ladeado por pilastras geminadas no lado maior e pilastras simples no menor. Sobre estas pilastras assenta o entablamento que serve de suporte ao quarto corpo. Este último corpo, quadrado, eleva‑se com arcos de volta perfeita elevados em cada um dos seus lados. Estes arcos estão ladeados por pilastras decoradas com azulejos. Como remate, possui um chapitel piramidal com azulejos em azul e branco. 

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Morada e telefone

  • Pl. Marqués de las Torres, s/n, 41410 Carmona (Sevilha)
  • +34 954 19 14 82

Horários

  • De segunda a sexta, das 10:00 às 13:30 horas e das 17:00 às 19:00 horas. 
  • Sábado, das 10:00 às 13:30 horas e das 18:00 às 19:00 horas.
  • Domingo: das 10:00 às 11:00 horas e das 18:00 às 19:00 horas.

 

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Onde fica

O que ver em Carmona

O Alcácer da Porta de Sevilha, também conhecido como Alcácer de Baixo em Carmona, deve o seu nome à Porta de Sevilha. É um bastião defensivo que se encontra na parte oeste da cidade. [+]

O Alcácer da Porta de Sevilha, também conhecido como Alcácer de Baixo em Carmona, deve o seu nome à Porta de Sevilha. É um bastião defensivo que se encontra na parte oeste da cidade.

 

Foram encontrados restos arqueológicos que datam do período compreendido entre os séculos XIV e XII a.C., mas a sua origem remonta ao século IX a.C. Neste monumento conserva‑se a marca da história de Carmona e do Ocidente, na qual esta cidade foi participante. Nos silhares da Porta de Sevilha encontra‑se o legado de fenícios, cartagineses, romanos, muçulmanos e cristãos.
 

Na primitiva torre do século VIII a.C., os cartagineses desenharam os seus primeiros traçados de planta quadrangular, de robustez e firmeza para fazer frente aos romanos. Em época romana, com Augusto, reforçou‑se e reformou‑se a estrutura com várias portas que hoje ainda se mantêm de pé. Chegou mesmo a construir‑se um templo do qual hoje resta parte da sua plataforma ou pódio. Os romanos continuaram a realizar intervenções neste local, especialmente no século I d.C., até fazer de Carmo “a cidade mais forte da Bética durante a Antiguidade”, segundo César.
 

Com a chegada dos muçulmanos, este conjunto também sofreu algumas reformas. Abriu‑se um arco de ferradura califal no século X e outro de ferradura apontado, mais externo, almóada (século XII). No século XIV, com o reinado de Pedro I, o conjunto foi reformado no interior.
 

Durante a segunda metade do século passado, o conjunto foi alvo de várias obras de reabilitação. Nos anos sessenta foi‑lhe retirado o conjunto de casas que lhe estavam anexas. A última reforma data de 1973, quando foram habilitados o Salão dos Presos Baixo e Alto, a Torre de Ouro e o Pátio das Cisternas. Da Torre de Ouro podem contemplar‑se vistas panorâmicas incríveis do casario de Carmona.

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